Mood:
Escrevi esse texto no final de 2004 e enviei como "votos" de ano novo... depois de me saturar com varias mensagens de natal impregnadas de boas intenc?es e sua ironica retorica crist?, que eu me esforco pra escapar no final de dezembro, mas n?o tem como. E como aquele cara das Casas Bahia: se voce ligar a televis?o, n?o adianta, voce VAI esbarrar nele!
Mas quem sou eu pra criticar posturas alheias? Cada um e livre pra viver em um mundo de faz-de-conta, onde ninguem explora ninguem, todo mundo tem acesso ao essencial e tudo vai mudar por decreto, se todos simplesmente aceitarem reproduzir a vida assim como a recebem... "acredite nos seus sonhos" "tudo e divino, tudo e maravilhoso" "e tomara que voce encontre o palito premiado"(no dia que eu descobrir que planeta e esse, eu me mudo!)
Fato concreto e que as coisas n?o "brotam", n?o surgem por milagre nem se materializam no vacuo, como coisa oculta que esperava a hora de ser revelada, e aquilo que voce n?o constroi, voce n?o vive. Mas por enquanto, do pouco que as coisas mudam, aqui vai ele de novo:
Enfim... sejam felizes!
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So pra constar, a foto veio desse blog.
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As coisas s?o assim:
A gente nasce, a gente cresce,
A gente soluca
A gente aprende a fingir de morto
E esperar,
Porque Deus e bom
E por achar que vai pro ceu
A gente acha que e feliz
A gente mente
E se apressa pra dormir a noite
Porque as coisas s?o assim,
A gente envelhece em cima do muro
A gente aprende
Que pra carga existe o dorso
Assim como os olhos
S?o feitos pro ch?o,
Porque as pessoas passam
A gente aprende a dizer adeus
E aceita como fato
Na atmosfera oca da labuta
Estarmos, enfim, sos
E aprende, ent?o, a esquecer
Que um dia, ninguem vai lembrar
Que a gente tambem
Passou por aqui
Porque as coisas s?o assim,
As coisas n?o s?o.
A gente aprende, ainda,
Que vive numa democracia
A gente aprende que tem valor
E ent?o vai servir a patria
A gente corre,
Porque eles querem
Que a gente ganhe dinheiro
Eles querem
Que voce se venda pra Unimed
Eles querem
Que se renda pra Arnon de Mello,
Que va trabalhar na usina
Nas salas de aula do INEI
Na barra da saia do meritissimo
Ou va lavar, enfim, as cuecas
Do senador, do deputado, do ministro
Do chefe da repartic?o
Da boca de outro gargalo!
E porque eles querem falar,
Eles querem
Que voce dobre a lingua
Que voce monte uma ONG
Que va disputar por dentro
E ajude a trocar o oleo
Que corre
Por dentro da maquina
Eles querem que voce se adeque,
Eles querem que voce sirva!
E todos raspando o tacho
Do fundo
Do mesmo poco
Porque as coisas s?o assim.
E porque as coisas s?o assim,
Eles sabem, a favas contadas...
AS FAVAS O QUE ELES SABEM!!!
Feliz ano novo
E vamos a luta!
(Maceio, Dez/2006)
(Tadeu Brand?o)
((http://neurosedatese.cjb.net))
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